Fórum Fimec: conteúdos para o setor coureiro-calçadista

Proporcionar um conteúdo transformador para movimentar a indústria foi o objetivo do 4º Fórum Fimec, que aconteceu nesta quarta-feira (9), junto à programação da Fimec. A atração trouxe palestras e um debate conduzidos por profissionais de referência nacional e internacional e com temas pertinentes do setor, buscando promover networking e atualização profissional para potencializar negócios. A feira segue até quinta-feira (10), na Fenac, em Novo Hamburgo/RS.

Um dos temas abordados nesta edição do Fórum foi “Recomendações para a Moda Sustentável Brasileira”, quando foi lançado um instrumento para orientar mudanças na forma de produzir, vender e consumir moda no Brasil. Na conversa, Lucilene Danciguer, Diretora do Colabora Moda Sustentável destacou que, atualmente, a sustentabilidade é uma jornada difícil de ser comunicada. “O consumidor está perdido e se questionando o que é sustentável, por isso é necessário investir nisso. Acreditamos que a moda é um vetor de mudança e também algo a ser transformado. A gente transforma e é transformado pela própria moda”, enfatizou Lucilene.

A conversa também contou com a participação de Laura Madalosso, Cofundadora da Cora Design e Cristian Schlindwein, Gestor de Projetos da Abicalçados. “Todo mundo está discutindo os problemas, aqui nós temos os caminhos para resolvê-los”, apontou Laura. Já Schlindwein destacou que a sustentabilidade também deve considerar o processo e não somente o produto final. “Nós, da cadeia do calçado e que estamos trabalhando nesse desenvolvimento, podemos dizer que existe uma vertente, pois há empresas do setor que já olham para o seu impacto e para o seu processo sustentável, que já tem um cuidado com os resíduos, as pessoas e o meio ambiente”, pontuou.

A segunda palestra da tarde abordou “Sustentabilidade e Inovação em Adesivos – Henkel”, com Jeferson Segantini, Gerente de Vendas Brasil e Desenvolvimento de Negócios Latam na Henkel e Pedro Bueno, Gerente Técnico na Henkel Latam. Bueno explicou sobre as propriedades da inovação. “É um adesivo reativo, ou seja, necessita de calor para ser aplicado, porém é 100% sólido, então não possui nenhum tipo de solvente nem água em sua composição. Assim, o primeiro ponto é que não é necessária uma etapa de secagem”, destacou. Além disso, eles explicaram que se trata de um produto que possibilita automação, o que gera redução no custo total do produto.

Na sequência, Matt Priest, presidente e CEO da Footwear Distributors & Retailers of America (FRDA), associação dos revendedores e distribuidores de calçados nos Estados Unidos, falou sobre o “Mercado Americano de Calçados”. Na oportunidade, Priest explicou que esse é um mercado que cresce massivamente. “O mercado americano de sapatos se define em duas palavras: resiliência, pois enfrentamos a tempestade juntos com os parceiros; e agilidade, já que enfrentamos os problemas de forma rápida”, explicou. Ele ainda falou sobre as oportunidades do Brasil no cenário atual. “Atualmente, 42% dos fornecedores são chineses. Embora a liderança seja deles, muita coisa está mudando, pois o Brasil está ressurgindo desde 2021 e se tornando mais competitivo”, contextualizou, explicando que o volume de importações e exportações do Brasil está crescendo. “Muitos negócios podem vir do Brasil, pois as questões geopolíticas da China geram uma certa instabilidade no mercado”, pontuou. Priest incentivou o Brasil a continuar investindo para ter preços competitivos no mercado. “A cultura brasileira e latino-americana são fortes aqui no mercado norte-americano. O Brasil precisa ter dinamismo na nossa indústria, procurando bons negócios de forma inteligente. É preciso encontrar novos fornecedores, com produtos inovadores e preço competitivo”, complementou.

O evento ainda contou com um debate com a temática “Sourcing Mundial de Calçados: a oportunidade da América Latina”. Na ocasião, Marcelo Schmidt, SVP, Head of Global Sourcing – Camuto Group, a Designer Brands Company, destacou que é possível transformar a crise em uma oportunidade de negócio. “A demanda pode existir de maneira permanente. Temos que ter consciência de olhar a longo prazo, acreditamos muito no potencial e na capacidade do Brasil de se adaptar”, pontuou.

Já Christian Thomas, General Manager Brazil Office também da Camuto Group, a Designer Brands Company..., explicou que o Brasil precisa “pegar essa fatia do mercado e não a deixar escapar de novo”. Para ele, este é um momento especial, já que a demanda dos americanos está maior. “Os pedidos que estão migrando da Ásia para o Brasil irão para outros países da América Latina e precisamos nos unir, todos os setores do cluster calçadista”, pontuou. Ele ainda destacou que encontros como o Fórum Fimec são importantes para o setor. “Esta é a última chance do calçado. Se algo não for feito de imediato, o setor irá morrer nesta geração”, contextualizou.

Considerando este cenário, André da Rocha, Diretor da Master Soluções Que Conectam, destacou que a indústria de máquinas brasileira tem muito a evoluir e trazer soluções para as fábricas. “Os sapatos da New Balance demoram 3 horas para serem finalizados, enquanto no Brasil demoram, em média, 5 dias para ficarem completamente prontos”, exemplificou, destacando que há espaço para crescer.


Comunicação da Fenac