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Cenário de incertezas é desafio para planejamento e tomada de decisões

há 21 horas
2 min de leitura

O conturbado cenário eleitoral e os desafiadores indicadores econômicos para 2027 foram temas de um painel na sede do Sistema FIERGS. O doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) e analista de conjuntura Leonardo Barreto e o economista-chefe da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da FIERGS, Giovani Baggio, discutiram os desafios do ambiente político-econômico e seus desdobramentos para os industriais gaúchos.


Em sua apresentação, Barreto afirmou que a imprevisibilidade define o atual ambiente político para o empresariado. "Os empresários precisam tomar decisões que incluem investimento de longo prazo. Ao discutir os cenários eleitorais, o setor não apenas influencia na direção do debate, como também está mais equipado para tomar decisões econômicas com maior segurança", apontou o analista. "O presidente eleito terá que fazer reformas econômicas, sugerindo um novo modelo de desenvolvimento. Para isso acontecer, é preciso contar com uma base de legitimidade para poder concretizar esses movimentos", disse.


Barreto tratou também das recentes crises envolvendo o Supremo Tribunal Federal e defendeu o protagonismo do empresariado no apoio a uma agenda de reconstrução institucional e econômica. "O momento atual não é trivial. Os empresários devem assumir um processo de mediação em meio à crise institucional para o Brasil repactuar e seguir em frente", afirmou.


Baggio destacou os desafios no âmbito econômico para o presidente e o governador eleitos, a começar pelo conturbado quadro internacional. Em meio à reorganização das cadeias produtivas, o economista apontou a necessidade de o Brasil e o Rio Grande do Sul focarem no ambiente interno e organizarem as finanças públicas. "O Brasil tem uma dívida pública crescente, uma situação fiscal muito preocupante, gastos obrigatórios comprimindo a capacidade de investimento do estado, e o próximo presidente precisa encaminhar a questão o quanto antes", destacou.


A mudança na trajetória fiscal do país se deve à relação direta da crise com os juros elevados e com as incertezas sobre a carga tributária. No âmbito estadual, Baggio alertou para as particularidades locais, como a elevada dívida com a União, com retorno de pagamento previsto para 2027. O economista também reforçou a importância de investimentos em infraestrutura diante dos desafios climáticos somados à alta taxa de envelhecimento da população. "O Rio Grande do Sul vai começar a ter uma queda de população no próximo ano, enquanto o Brasil ainda irá demorar muito tempo para ter a inversão da pirâmide", apontou o economista. "Esses são alguns dos desafios adicionais que precisaremos enfrentar nos próximos anos", concluiu.


Comunicação da FIERGS


 
 
 

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