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Eleição e dólar pressionam decisão sobre juros

há 3 horas
2 min de leitura

A alta do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução dos juros, avaliam economistas. Com o real mais desvalorizado, a tendência é de pressão sobre a inflação, o que pode fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa o ciclo de cortes da Selic, atualmente em 13,75% ao ano.


Após o primeiro turno, a perspectiva de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro contribuiu para uma melhora nas projeções para os juros. A expectativa era de que um ajuste fiscal e a valorização do real poderiam favorecer uma redução mais rápida da taxa, explica Samuel Pessoa, pesquisador associado do FGV Ibre.


— Com a reeleição de Lula, há uma continuidade da política econômica e, portanto, se avalia que a inflação vai demorar mais para cair. Houve uma desvalorização do câmbio, que levou a um choque de preços.


Por isso, Pessoa espera que o Copom mantenha a Selic em 13,75% nas próximas duas reuniões.


— O Copom olha mais a dinâmica da inflação, que piorou, o que elimina o espaço para uma possível queda até o final do ano.


Milena Landgraf, CIO de estratégia macro da Jubarte Capital, também defende que o Banco Central mantenha os juros estáveis na reunião da próxima semana. Para ela, a alta do dólar deve pressionar as expectativas de inflação, que poderão piorar nas próximas edições do boletim Focus, relatório semanal do BC com projeções de instituições financeiras.


— Para as reuniões seguintes (do Copom), a trajetória dos juros dependerá, sobretudo, dos sinais do governo em relação ao compromisso com o ajuste fiscal e à contenção da dinâmica de crescimento da dívida pública.


A economista cita ainda possíveis efeitos de outras políticas do novo mandato de Lula:


— Há riscos adicionais para a inflação de 2027 que ainda não parecem totalmente incorporados às projeções, como os impactos sobre os preços da mudança na escala de trabalho 6×1 e da reforma tributária.


InfoMoney


 
 
 

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