Indústria de transformação tem maior déficit desde 1997
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A indústria de transformação brasileira registrou, em 2025, déficit comercial de US$ 71,3 bilhões, o pior resultado desde 1997, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, publicado em abril de 2026, mostra ainda que o setor respondeu por 54,1% das exportações brasileiras, mas por 92,7% das importações, evidenciando um cenário de forte dependência de produtos industriais estrangeiros e desafios para ampliar a competitividade da produção nacional.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ) chama atenção para a importância de fortalecer os mecanismos que sustentam a qualidade, a produtividade e a capacidade tecnológica da indústria brasileira. Entre eles está a metrologia, um dos pilares da Infraestrutura da Qualidade, responsável por assegurar a confiabilidade, a rastreabilidade e a comparabilidade das medições utilizadas em processos produtivos, ensaios e avaliações de produtos.
Para Mario Francisco Cia, vice-presidente de Metrologia da ABRIQ, o fortalecimento da capacidade metrológica brasileira deve ser tratado como parte da estratégia de competitividade da indústria.
“A metrologia é essencial para a competitividade industrial. Não é possível falar em qualidade, produtividade e inovação sem falar em medições confiáveis. Quando uma indústria possui sistemas de medição adequadamente calibrados e processos metrológicos estruturados, ela consegue identificar desvios, reduzir perdas, melhorar seus processos e entregar produtos com maior consistência e qualidade. Isso se torna ainda mais importante quando pensamos na inserção do produto brasileiro em mercados internacionais, que exigem níveis cada vez maiores de precisão e confiabilidade”, afirma.
Qualidade como fator de competitividade
O déficit comercial da indústria de transformação evidencia a necessidade de ampliar a capacidade competitiva do setor e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado na pauta de exportações brasileiras. Nesse processo, qualidade, produtividade, inovação e capacidade tecnológica são elementos diretamente relacionados.
Para a ABRIQ, a Infraestrutura da Qualidade deve ser compreendida como uma política estratégica para o desenvolvimento industrial, capaz de conectar conhecimento técnico, empresas, laboratórios, organismos de avaliação da conformidade, governo e demais atores do ecossistema produtivo. “A indústria brasileira precisa de condições para competir não apenas em preço, mas principalmente em qualidade, tecnologia, confiabilidade e produtividade”, conclui Mario Francisco Cia.
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