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Entidades avaliam que diversificação de mercados levará tempo

28 de ago.
2 min de leitura

A nova rodada de negociações entre Brasil e Estados Unidos, marcada para segunda-feira (31), chega em um momento de pressão para a indústria exportadora. Após novo aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, entidades empresariais gaúchas esperam que a retomada do diálogo entre os dois países produza avanços concretos e reduza impactos sobre as empresas. Ao mesmo tempo, o setor trabalha na abertura de novos mercados e recebe, do governo federal, medidas para amenizar os efeitos das tarifas.


A reunião de segunda--feira, marcada para 14h30 (horário de Brasília), será entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, depois de a conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump ter reaberto o canal de negociação. Integrantes das equipes dos dois governos também devem participar do encontro on-line.


Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a possibilidade de ampliar a lista de produtos isentos das sobretaxas é um sinal positivo, embora ainda seja cedo para projetar o resultado. A retomada das negociações é vista pela entidade como importante, mas com prudência. O presidente da Fiergs, Claudio Bier, defende a continuidade das tratativas nas frentes presidencial, diplomática e também diretamente entre os setores privados dos dois países.


Para a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o objetivo é mais direto: a retirada do calçado brasileiro da lista de produtos sobretaxados. O presidente executivo da entidade, Haroldo Ferreira, afirma que o setor defende o diálogo desde o início da política tarifária norte-americana e avalia que a continuidade das negociações é o caminho para resolver o impasse. “Todos perdem com o tarifaço, não somente o Brasil”, resume Ferreira.


Para o diretor executivo Fauston Saraiva, da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI), a região já sente os reflexos na geração de empregos, produtividade e exportações. Ele considera que parte dessas perdas pode ser recuperada caso haja revisão das tarifas.


No setor industrial, representado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos para Calçados (Abrameq), o principal impacto apontado pelo presidente André da Rocha está mais na incerteza sobre os negócios futuros do que nos números já registrados. Segundo ele, as tarifas dificultam negociações e o planejamento de médio prazo das empresas.


O setor também busca novos mercados, mas Rocha pondera que dificilmente será possível substituir completamente os Estados Unidos em volume e valor agregado.


Para Saraiva, da ACI, a abertura de novos mercados é necessária, mas não produz resultados imediatos. A conquista de compradores em outros países envolve questões culturais, relações de confiança e tempo para estabelecer novos negócios.


Na Abrameq, a expectativa é que os esforços de promoção comercial possam produzir resultados nos próximos 12 meses. Até lá, porém, a entidade prevê dificuldades para compensar integralmente a perda do mercado norte-americano.


Enquanto as negociações avançam, o governo federal adotou uma medida para dar mais tempo às empresas afetadas. A Medida Provisória nº 1.386/2026, que trata do drawback, permite a prorrogação, por até um ano, de prazos para o cumprimento de compromissos.


Jornal NH


 
 
 

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